sexta-feira, 12 de março de 2010

Vsê vaai ter qe me aceitar assim..'


Aos olhos comuns quero é ser invisível. Não sirvo em moldes, nem tenho bordas delineadas. Sou livre. Viajo de um extremo a outro. Sem medo. Porque diferente nasci, e não adianta lutar contra. Sempre vou ser. Por fora sou quase uma tela em branco, por dentro sou um tornado. Digo o que penso, faço o que quero. Sem ensaiar. Não quero surpreender, não quero magoar, não quero me destacar em meio ao emaranhado de vidas que caminham lado a lado. Alguns já estão com o piloto automático ativado. Se escondendo dos exageros da vida. Não vão nem ao céu, nem ao inferno. Transitando no meio. No neutro. Nos sentimentos dosados, nos passos contidos. Nas palavras bem pensadas e olhares recheados de hesitação. Não me amordaço. Não me amarro aos pés da mesa. Não respeito a altura dos muros. Nem a espessura dos cadeados. Não me intimido com repreensões, nem desanimo com o pessimismo alheio. Não me deixo guiar pelo senso comum. Quero questionar. Quero discutir. Quero experimentar. Quero perguntas, quero mais perguntas. Quero poder discordar das respostas sem olhares tentando me silenciar. Não quero a falsa beleza das maquiagens, dos acessórios de cabelo, dos saltos e tecidos finos. Não quero sorrisos falsos, abraços vazios. Não quero perto de mim pessoas que não conseguem ver além da superfície. Além das linhas do corpo físico. Dentro de mim é pleno. É vivo, rico, é único. Das minhas virtudes tenho orgulho. E a elas me dedico. Sou bela como sou. Sou bela com minha inconstância. Sou bela com meu excesso de verdade. Sou bela com minha calça jeans, meus olhos cansados e meu sorriso irônico. Não são as minhas roupas que estão erradas. Nem minhas palavras que estão fora de hora, ou contexto. Não são minhas ações que estão fora de controle. E não são exagerados os meus sentimentos. Alguns é que nasceram com bordas e escolheram viver uma vida menos detalhada. De aprovar o que é "de fácil compreensão". Eu não sou de fácil compreensão. Não tenho manual, não sou a mesma de ontem, não serei a mesma amanhã. Não vivo verdades herdadas. Não padronizo sentimentos e atos. Falo alto, rio mais alto ainda. Não seguro o choro, nem o desespero. Não seguro o ciúme, nem meu perfeccionismo. Não escondo o carinho, não tenho medo do toque. Nem da palavra cheia de verdade. Não disfarço meu cansaço, minha raiva, minha alegria, meu prazer... Nada vem travestido. Minha face é uma. Se sou quem sou hoje, é porque busquei. Busquei a intensidade. Busquei a sinceridade. Com paixão e ambição aprendi coisas das quais me orgulho. Me dediquei ao aperfeiçoamento delas. Por mim. Não por outros. E não pretendo estacionar no que já tenho. Não pretendo estacionar no que sou. Não pretendo estacionar nos lugares, nem nas pessoas. Não irei jamais me aproximar do mediano. Não irei ser menos intensa, menos estranha, menos verdadeira. Não é por teimosia. Nem desrespeito ao próximo. Eu cresci assim. Cresci sendo essa pessoa. São as coisas que eu amo. São as coisas que eu acredito. São as coisas que eu vivo. E que eu aprendi a respeitar, e defender, e temer, e rejeitar.
E digo isso por mim. Faço isso por mim. Por mim. Aquela que devora imagens, sons e palavras. Que vivencia tudo dessa forma. Com essa mistura. Que idealiza. Que tira do eixo. Que se perde dentro da própria mente por dias. Que invade vidas, desarruma os móveis, embaralha as palavras, rabisca as paredes, coloca as fotos de cabeça pra baixo, toca as músicas ao contrário, calça os sapatos com os pés trocados, explode de felicidade antes de desabar de tristeza... e desaparece num suspiro. Não sou melhor, não sou pior. Estou vivendo. Quero viver.

Chega uma hora que cansa demais. Quando as pessoas insistem em fazer da sua diferença um defeito. Se eu quisesse ser só mais uma reprodução eu seria um bolo. Não um ser humano.
A vida é curta pra ser pequena.




Samara Simoncelo
(melhor texto qe eu já escrevi)

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